A vereadora Carla Ayres participou da COP30, em Belém (PA), representando Florianópolis e Santa Catarina nos debates sobre sistemas alimentares, oceanos e o papel dos legisladores na implementação das metas climáticas.
A agenda contou com trocas intensas entre parlamentares, especialistas, pesquisadores e movimentos de várias partes do mundo — sempre com foco em um ponto fundamental para a parlamentar: como a crise climática já está transformando a vida cotidiana e o território catarinense.
A seguir, apresentamos os principais pontos da participação de Carla Ayres e por que eles são tão relevantes para Florianópolis.

O impacto do clima no preço da comida
Na mesa “Legislativo e políticas de alimentação: disputas e possibilidades”, Carla destacou como clima e alimentação são questões inseparáveis.
Durante visita ao tradicional mercado da capital paraense, a diversidade de alimentos reforçou um alerta que já é sentido em Santa Catarina:
“Discutir sistemas alimentares e alimentação saudável tem tudo a ver com clima. Chuvas extremas e estiagens têm afetado principalmente a agricultura familiar, que não tem o mesmo suporte de recuperação que os grandes produtores.”
Assim como na região Norte, o Sul do Brasil enfrenta eventos cada vez mais extremos, alterando oferta, preços e disponibilidade de alimentos — uma realidade que afeta diretamente o dia a dia das famílias.
Por isso, a vereadora segue cobrando políticas de adaptação climática e apoio efetivo às agricultoras e aos agricultores familiares. Sem eles, não há segurança alimentar possível.
Avanço do mar: um alerta que já chegou ao litoral catarinense
Carla também foi convidada para o debate “O papel dos legisladores no aumento da ambição climática com soluções baseadas nos oceanos”. Ali, reforçou que as soluções climáticas precisam chegar às cidades — onde a crise se materializa com maior intensidade.
Ela resgatou, ainda, a mobilização de 2022 contra os leilões de petróleo no litoral sul de Santa Catarina:
“Foi muito importante a movimentação que fizemos em Santa Catarina. Envolvemos comunidades, pescadores e quase todas as câmaras municipais. As cidades são diretamente afetadas e precisam estar no centro das decisões climáticas.”
Após três décadas de grandes acordos globais, está claro que estados e municípios precisam ter participação real nas decisões da COP.
Os impactos já são visíveis nos municípios:
- no trânsito que piora com a verticalização desordenada;
- no saneamento que não dá conta;
- na qualidade dos rios, das baías e do oceano;
- nas enchentes e nas secas;
- nos bairros costeiros que sofrem com o avanço do mar.
Hoje, ao menos sete cidades litorâneas catarinenses decretaram emergência por erosão costeira. Florianópolis registra danos estruturais recorrentes em áreas costeiras em razão de ressacas e marés altas.
A crise climática não é “coisa do futuro”: é a realidade presente. E planejamento climático significa pensar em habitação, mobilidade, saneamento, turismo e infraestrutura desde já.
Soluções oceânicas começam com responsabilidade
Carla também destacou um ponto frequentemente ignorado nas discussões:
“Falamos sobre redução de plásticos de uso único, mas é preciso responsabilizar as grandes empresas, as multinacionais que despejam contêineres de lixo plástico no mundo e não têm políticas de reciclagem ou logística reversa. São elas que geram microplásticos, que matam algas marinhas e impactam a pesca.”
Para a vereadora, não é possível colocar o peso da mudança exclusivamente no consumidor. É necessário avançar em responsabilização internacional, acordos vinculantes e ações concretas para proteger os oceanos.
Compromisso real para enfrentar a crise climática
Encerrando sua participação, Carla reafirmou o compromisso do mandato:
“Santa Catarina segue comprometida com esse debate. Precisamos colocar cada vez mais os governos locais dentro da COP e das discussões climáticas.”
Esse compromisso já orienta diversas ações em Florianópolis:
- cinco projetos de lei voltados à adaptação climática e à sustentabilidade;
- defesa de um Plano Diretor sustentável;
- proteção das unidades de conservação do município.
Por que isso importa?
Porque o clima não espera.
Porque Florianópolis e Santa Catarina já sentem os efeitos na alimentação, na mobilidade, na moradia, no bolso e na saúde.
E porque é a política local — vereadores, prefeitos, assembleias — que transforma acordos internacionais em políticas que chegam à vida real.
