As últimas semanas trouxeram uma sequência de más notícias para o bolsonarismo. E boas para a democracia brasileira!
Elas foram marcadas por prisões, processos e derrotas políticas que mostram que, finalmente, o Estado brasileiro começa a reagir com firmeza contra aqueles que tentaram destruir a democracia.
De Bolsonaro em prisão domiciliar a Zambelli atrás das grades, passando pelo motim desmoralizado na Câmara e pelo desgaste internacional do bolsonarismo, o recado é claro: quem ataca as instituições democráticas não ficará impune.
Montamos um compilado dos principais revezes do bolsonarismo nas últimas semanas. Confira!
Bolsonaro enfrenta tornozeleira, prisão e julgamento
O último mês foi de reviravoltas na situação legal do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçando que ninguém está acima da lei.
Em 18 de julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Bolsonaro passasse a usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir recolhimento domiciliar nos fins de semana e à noite. Ele também teve restrições no uso de redes sociais e foi impedido de ter contato com diplomatas e outros investigados.
A decisão veio junto com uma operação da Polícia Federal em sua casa e no partido PL, para garantir o cumprimento das medidas. Bolsonaro reagiu criticando a decisão, chamando-a de “humilhação”, mas a Justiça seguiu firme.
Pouco depois, em 4 de agosto, a situação tornou-se ainda mais séria: Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar integral, após descumprir as medidas anteriores. Seus celulares foram apreendidos, a tornozeleira passou a monitorá-lo 24 horas por dia e ele não pode mais receber visitas de aliados.
Agora, o STF marcou o julgamento de Bolsonaro por uma série de crimes, incluindo tentativa de golpe, formação de organização criminosa armada e atentado à ordem democrática. As sessões estão previstas para acontecer a partir do dia 2 de setembro.
Além disso, em 20 de agosto, a Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, no inquérito que apura a atuação deles para obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
O indiciamento representa a fase inicial da investigação, aponta que há indícios de autoria e materialidade, mas ainda não faz parte de um processo penal formal.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, mas com encontro previamente marcado para a derrocada do bolsonarismo em setembro!

Motim na Câmara: trio do PL catarinense enfrenta medidas disciplinares
Em 5 de agosto, em resposta à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, deputados bolsonaristas obstruíram os trabalhos na Câmara. Eles exigiam a votação de propostas da oposição, como a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Durante a obstrução, parlamentares como Júlia Zanatta (PL-SC) usaram esparadrapos na boca e se acorrentaram a cadeiras, enquanto outros, como Marcel Van Hattem (Novo-RS), resistiram fisicamente à posse de Hugo Motta na presidência da Casa. A situação gerou um impasse que só foi resolvido com a intervenção do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Em resposta ao motim, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou representações contra os 14 parlamentares envolvidos à Corregedoria da Casa, entre eles o trio catarinense do PL: Caroline De Toni, Júlia Zanatta e Zé Trovão. A expectativa é de parte do grupo receba uma suspensão.
Além disso, também foi aprovado o regime de urgência para o Projeto de Resolução nº 63/2025, que estabelece regras mais rígidas para punir agressões e obstruções no plenário, ampliando os poderes do presidente da Casa para agir de forma imediata. A votação final está prevista para os próximos dias.
Conselho de Ética deve analisar pedidos de cassação contra Eduardo Bolsonaro
No dia 15 de agosto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar quatro representações — três do PT e uma do PSOL — com o pedido formal de cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por quebra de decoro parlamentar.
As acusações incluem:
- Atuação no exterior contra os interesses nacionais, atuando em prol de sanções dos EUA contra autoridades brasileiras.
- Manifestação favorável ao “tarifaço” de 50% imposto por Trump ao Brasil, como retaliação política.
- Pressão externa sobre ministros do STF, como Alexandre de Moraes, considerada afronta à soberania.
Com os pedidos enviados, o Conselho de Ética deve definir a data de abertura do processo e sortear um relator. Eduardo Bolsonaro terá dez dias úteis para apresentar sua defesa. Para que a cassação seja efetivada, são necessários 257 votos favoráveis no plenário da Câmara.
Essas ações mostram uma mudança na postura da Câmara, que responde de forma mais firme às tentativas de transformar o espaço legislativo em um palanque para ataques ao Estado de Direito. O recado é claro: não há espaço para golpismo ou obstrução antidemocrática no Parlamento brasileiro.
O recado é claro: não há espaço para golpismo ou obstrução antidemocrática dentro do Parlamento brasileiro.
Prisão e novos processos reforçam cerco jurídico contra Zambelli
Em 29 de julho, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa em Roma, em ação conjunta da Polícia Federal brasileira, Interpol e autoridades italianas.
Zambelli havia fugido do Brasil após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão por liderar uma invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Seu nome chegou a integrar a lista vermelha da Interpol, que reúne foragidos internacionais.
Atualmente, ela está detida no presídio feminino de Rebibbia, em Roma, enquanto a Justiça italiana analisa o pedido de extradição para o Brasil. A defesa tenta alegar cidadania italiana e problemas de saúde para evitar sua volta, mas especialistas apontam que os tratados entre Brasil e Itália permitem a extradição, mesmo em casos de dupla nacionalidade.
Em paralelo, o STF retomou em 15 de agosto o julgamento sobre outro episódio grave envolvendo Zambelli: a perseguição com arma de fogo a um apoiador de Lula, na véspera do segundo turno de 2022. Seis ministros já votaram pela condenação, com pena de 5 anos e 3 meses em regime semiaberto e perda do mandato. O relator Gilmar Mendes anexou este processo ao pedido de extradição, fortalecendo os argumentos para que Zambelli retorne ao Brasil.
Bolsonarismo aplaude tarifa contra o Brasil e é acusado de traição
No início de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, alegando retaliação ao processo judicial contra Jair Bolsonaro.
A medida, que atinge diretamente a economia nacional, gerou uma crise diplomática e obrigou o Brasil a reforçar parcerias comerciais com outros blocos, como os BRICS e a União Europeia.
Diante da notícia, lideranças bolsonaristas chegaram a aplaudir a decisão de Trump, tratando-a como um gesto de solidariedade internacional ao ex-presidente. No entanto, o impacto negativo sobre o Brasil fez o grupo recuar.
Alguns passaram ao silêncio estratégico, enquanto outros tentaram culpar Lula e o STF pelo episódio, numa manobra para proteger Bolsonaro e minimizar os prejuízos de sua aliança com a extrema direita norte-americana.
A estratégia não deu certo. Nas redes sociais, a repercussão foi massivamente negativa: pesquisas apontam que 78% das menções criticam duramente os Bolsonaro e seus aliados, acusados de “traição à pátria” por apoiar uma medida que prejudica o próprio país.
Este episódio revela o desgaste do bolsonarismo, que, ao se alinhar a Trump, se mostrou disposto a sacrificar a economia e a soberania brasileiras em nome de interesses políticos.
Ninguém está acima da lei — nem Bolsonaro, nem seus filhos, nem seus cúmplices.
É tempo de virar a página do golpismo e avançar rumo a um Brasil mais justo, democrático e comprometido com a soberania popular.
